Iniciativa do Projeto Ar, Água e Terra cria espaço de troca entre indígenas e público durante o Mês dos Povos Indígenas
O tradicional Brique da Redenção, em Porto Alegre, será ponto de encontro entre diferentes culturas no próximo domingo, 26 de abril. Em celebração ao Dia (19/04) e ao Mês dos Povos Indígenas, o Projeto Ar, Água e Terra, realizado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), promove uma ação aberta ao público que aproxima a população do cotidiano, dos saberes e da produção cultural de comunidades Mbyá Guarani no Rio Grande do Sul. A iniciativa conta com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
A atividade acontece das 10h às 17h e apresenta ao público um recorte das experiências desenvolvidas no Projeto, com a instalação de um gazebo para recepção de visitantes, distribuição de materiais informativos e exposição de artesanato produzido nas aldeias Guarani participantes. No espaço, o público poderá conversar com integrantes do projeto, incluindo representantes indígenas e a equipe técnica do IECAM, e conhecer mais sobre o trabalho desenvolvido com as comunidades no estado. “A gente se sente bem explicando para alguém que quer saber das coisas, como é que foi feito, como é que foi cortada a madeira no mato, como é que foi feito para buscar a taquara”, afirma a Guarani, Alzira, da Teko’a Nhe’engatu (Aldeia das Boas Falas/Palavras), em Viamão.
Mais do que uma ação pontual, o encontro funciona como porta de entrada para um trabalho que ocorre, em grande parte, longe do olhar urbano. Desenvolvido com dez aldeias Guarani, o Projeto Ar, Água e Terra atua na valorização dos saberes tradicionais, na restauração produtiva e na segurança alimentar, no fortalecimento da autonomia das comunidades e na gestão sustentável de seus territórios.
As peças de artesanato expostas no Brique carregam mais do que valor cultural: são resultado direto da relação do povo Guarani com a natureza e com as matérias-primas nativas, reunindo conhecimentos transmitidos entre gerações e conectados ao modo de vida nas aldeias. Para as famílias, elas também representam uma importante fonte de sustento. “A gente leva para vender, e tem dias que vende bem, tem tempo que não vende nada, mas assim mesmo a gente fica feliz, porque com a venda do artesanato a gente trata a família, as crianças, compra coisas boas para as crianças. Então é muito importante para nós”, relata Alzira.
Ao levar essas experiências para um dos espaços públicos mais tradicionais da Capital, o IECAM propõe um espaço de aproximação entre diferentes realidades: de um lado, a dinâmica urbana; de outro, um modo de vida baseado em saberes tradicionais e em uma relação direta com o território e a natureza. A proposta é ampliar o olhar da sociedade sobre o papel dos povos indígenas, criando um ambiente de escuta e de troca, marcado também pela memória de luta que envolve o Dia dos Povos Indígenas. “É sobre lembrar dessa luta. Lembrar da luta dos nossos antepassados, que lutaram muito pela terra. Alguns conseguiram e outros morreram sem conseguir”, destaca Alzira. Ela também convida o público a aproveitar a ação para conhecer mais de perto a cultura Guarani: “Eu gostaria que todo mundo passasse lá para conhecer nosso artesanato. E, se puder, comprar alguma coisa e também perguntar sobre nós”.

SERVIÇO
O quê: Ação do Projeto Ar, Água e Terra no Mês dos Povos Indígenas.
Quando: Domingo, 26 de abril de 2026, das 10h às 17h.
Onde: Brique da Redenção – Porto Alegre/RS, em frente ao Monumento ao Expedicionário.
Entrada: Evento gratuito e aberto ao público.


