Liderança Guarani apresenta resultados de recuperação ambiental e leva conceito de Bem Viver a colaboradores da Petrobras

Participação do Projeto Ar, Água e Terra no Momento Bem Estar destaca protagonismo indígena na recuperação ambiental e na reconstrução de modos de vida no Rio Grande do Sul

Em um cenário em que a recuperação ambiental e o uso dos territórios seguem no centro do debate, o cacique Valdecir Xunu Moreira, da Teko’a Pindó Mirim, em Viamão (RS), apresentou resultados concretos de regeneração e retomada de práticas tradicionais em aldeias Guarani a partir do Projeto Ar, Água e Terra. A fala ocorreu durante a edição de abril do Momento Bem Estar, promovido pela área de Responsabilidade Social da Petrobras na última quinta-feira (30/04).

Ao lado da coordenadora do Projeto, Denise Wolf, o cacique compartilhou experiências de transformação do território a partir da recuperação ambiental e do fortalecimento cultural promovidos pela iniciativa. O encontro se consolidou como um espaço de escuta, diálogo e conexão, aproximando diferentes realidades e saberes.

A transformação relatada por Valdecir se traduz na retomada de práticas tradicionais e na recuperação de áreas antes degradadas. Assim, foi possível reintroduzir o plantio de espécies nativas, fortalecer a segurança alimentar nas aldeias e retomar saberes ligados ao cultivo, à medicina tradicional e à relação com o território.

“Quando a gente entrou aqui, a área era lotada de eucalipto, que não é uma árvore nativa e suga muito a terra e a água. Hoje, graças ao Projeto, temos árvores, frutos, pássaros”, relatou o cacique. A mudança vivida pela comunidade ao longo dos anos revela um processo que conecta recuperação ambiental e retomada cultural.

Segundo ele, esse processo está diretamente relacionado à qualidade de vida dos povos indígenas. “A gente precisa do território para viver bem, ter espaço, saúde, conhecimento. A gente vive da ancestralidade, das cerimônias, das danças”, afirmou. A partir disso, o líder indígena apresentou também uma leitura sobre o que significa o Bem Viver para o povo Guarani, conceito que orienta a relação com o território, com a espiritualidade e com a coletividade.

“A gente já não sabia mais onde buscar as frutas nativas, os remédios. O Projeto foi fundamental. Hoje, as crianças já se deparam com o verdadeiro avaxi, o milho tradicional. Isso é espiritualidade”, destacou Valdecir. Ele também ressaltou o impacto da iniciativa no resgate da medicina tradicional e na retomada das roças (kokué), com a circulação de sementes entre aldeias e o fortalecimento das práticas agrícolas — garantindo maior autonomia às comunidades.

Durante o encontro, também foram abordados os desafios enfrentados pelos povos indígenas, especialmente no acesso a políticas públicas e no enfrentamento da burocracia. “A gente precisa de apoio, é muito difícil lidar com as leis []. Todos os povos precisam se ajudar”, pontuou o cacique em um chamado à responsabilidade compartilhada na preservação da vida.

Para Denise Wolf, a participação no Momento Bem-Estar também ampliou o alcance dessa experiência para além das aldeias, levando aos colaboradores da Petrobras uma reflexão sobre outras formas de pensar desenvolvimento, bem-estar e sustentabilidade. “Quando escutamos as lideranças indígenas, entendemos que não se trata apenas de preservar, mas de reconstruir relações com o território e com a vida. Nesse contexto, o Bem Viver traz uma perspectiva concreta de futuro”, destaca a coordenadora.

Ao conectar práticas de recuperação ambiental com dimensões culturais, espirituais e produtivas, o encontro evidenciou que alternativas sustentáveis passam, necessariamente, pelo reconhecimento e valorização dos povos indígenas como protagonistas de soluções para o meio ambiente.